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Fábrica de Discos Rozenblit

Considerações: Esse texto foi organizado por mim entre 23 de março e 10 de abril de 2005, originalmente publicado no blog Regougo, em seguida no soubruno.blogspot.com. As informações abaixo são baseadas no livro “Do frevo ao mangebeat” do jornalista José Teles e em pesquisas na web (as fontes da web foram perdidas devido ao tempo que o texto já foi escrito, contudo, apresento ao término alguns links).

Introdução:

É importante conhecer a história musical da região onde vivemos, contudo, nem sempre as atenções são voltadas para os produtores musicais, os empresários da indústria fonográfica, em destaque, os pioneiros como José Rozenblit, que muito contribuiu para a difusão de estilos regionais como o samba-enredo, a ciranda, o maracatu, o carimbó e principalmente o frevo.

Proprietário da primeira fábrica de discos da capital pernambucana, Rozenblit, junto com seus irmãos, investiu pesado nos artistas da cena musical recifense, pernambucana e nordestina.

Era tido como empreendedor cultural, um empresário bem articulado e com boa visão de mercado. Conseguiu enxergar as riquezas culturais que temos em nosso quintal e transformou-as em produtos-de-mercado, lançando artistas por todo o Brasil, principalmente na região nordeste.

Sua empresa, a Fábrica de Discos Rozenblit era uma das mais modernas do país. Seu estúdio era capaz de comportar orquestras sinfônicas inteiras e seu parque gráfico era tido como um dos mais bem equipados da região. A empresa era comandada de forma ágil e eficiente, tornando-a auto-sustentável.

José Rozenblit, o início:

José Rozenblit nasceu em 1927, no Recife, no bairro da Boa Vista. Seu sobrenome, assim como sua origem judaica, provém da Romênia. Rozeblit significa, num dialeto romeno, “Rosa de Sangue”.

Uma viajem aos Estados Unidos bastou para que Rozenblit entrasse para o mercado musical. Através de um amigo, Rozenblit acabou conhecendo Mr. Siegel, dono da pequena gravadora Mercury. Em conversa com Siegel, Rozenblit foi incentivado a entrar no ramo do disco. Dois anos depois ele estaria distribuindo no Brasil o catálogo da Mercury.

A loja do pai, localizada na Rua da Palma, no centro do Recife, serviria, a princípio, de vitrine para expor seus discos. Sua viajem aos EUA havia lhe rendido à bagagem cerca de dois mil dólares em álbuns, que em pouco tempo ele passaria a importá-los regularmente.

Não demorou muito para que José Rozenblit inaugurasse sua primeira loja, que ele batizou de Lojas do Bom Gosto. Era um moderníssimo estabelecimento, localizado próximo a ponte que liga os bairros de Santo Antônio e Boa Vista. Lá, o cliente dispunha de seis cabinas, onde podia ouvir os álbuns antes de comprá-los ou não. Também podia se encontrar uma cabina especial de gravação, onde o cliente podia gravar jingles ou sua voz em acetato – algo raro no país. A Loja não vendia apenas discos, ela também comercializava eletrodomésticos e móveis modernos, contudo, os vinís eram os responsáveis pela sua fama na cidade. Vez por outra, artistas plásticos locais expunham seus trabalhos no espaço físico da loja.

No livro “Do Frevo ao Manguebeat” de José Teles, pela Editora 34, encontramos um caso curioso sobre a cabina de gravação da Lojas do Bom Gosto:

Na campanha presidencial de 1950, o ex-presidente Getúlio Vargas veio ao Recife, onde empreendia intensa programação de comícios pelo interior do estado. Porém, foi apanhado por uma forte gripe que o deixou acamado … O mini estúdio da Lojas do Bom Gosto foi instalado no Grande Hotel, onde a comitiva de Vargas se encontrava hospedada. Getúlio Vargas gravou seus discursos em 160 bolachões de acetato, imediatamente enviados às emissoras e difusoras do interior de Pernambuco.

A fábrica de discos:

Por incrível que pareça, até então, o primeiro nome nacional lançado por Rozenblit, em 1950, ainda na época do mini estúdio que havia em sua loja, fora Getúlio Vargas.

Em 1954, José Rozenblit, enfim, criaria com seus irmãos, no Recife, uma das mais importantes fábricas de discos do Brasil: a Fábrica de Discos Rozenblit. Até aquele ano, o frevo pernambucano era gravado graças a RCA-Victor no Recife. A partir deste momento, a fábrica dos Rozenblit assumiria este papel e passaria a cuidar da produção local e regional, inclusive, vez por outra, tratava de produzir alguma coisa do eixo Rio-São Paulo.

Naquela época o “bolachão” em 78 rpm rendia uma tiragem modesta, de apenas 2.500 cópias, mesmo assim, a Rozenblit abriu filiais no Rio, São Paulo e Porto Alegre, possuia um estúdio que comportava uma orquestra sinfônica e um moderno parque gráfico.

Segundo o JC Online (Especial 80 anos), A Fábrica pernambucana, “Entre 1959 a 1966, chegou a ter 22% do mercado nacional e 50% do regional. Mas fechou em 1966, não suportando os interesses das multinacionais” e as seis enchentes que devoraram suas instalações, inclusive a sua gráfica.

Leia mais:
A máquina Rozenblit
Frevos de Pernambuco


O Autor

Bruno Costa é natural do Recife e estudante de jornalismo. Horas viciado em cinema, horas viciado em música, costuma dividir o seu dia entre sinopses e pesquisas de novos artistas. Amante do mundo latino, sonha em conseguir aprender a dançar salsa, quer conhecer Buenos Aires e almeja tomar tequila com verme num bar tipicamente mexicano.

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