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O Recife para comer

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O Recife é uma cidade de grandes encantos. Muito já se falou e ainda hoje se ouve sobre as belezas naturais e materiais da cidade. Suas ruas, pontes e igrejas; seus rios, seus mangues e suas praias. Ah! Veneza Brasileira… Quem dera fosse tão pouco. Recife é muito mais que um pedaço de terra cortado por rios e amarrados por pontes. Não é uma colcha de retalhos – é mais justo o comparar com uma manta de fuxico ou uma veste de caboclo.

Minha cidade, menina dos olhos do mar do Lenine; da saudade do Antonio Maria; a cidade que não pára, do Chico, a sempre antenada para o mundo. Terra de várias belezas, o Recife guarda um bem tão precioso que ninguém é capaz de tomar. Seu cheiro, seu gosto, suas cores e sua textura; seus bens imateriais enraizados na cultura popular e o povo que toca a vida adiante, o povo que rasga o frevo traçando tesouras, que cria e reinventa.

Terceiro Pólo Gastronômico do Brasil e o Primeiro do Nordeste, o Recife vem se destacando cada vez mais no cenário nacional pela criatividade dos seus Chefes e, principalmente, pela criatividade da sua gente.

O crescimento da gastronomia no Recife pode ter iniciado há cerca de dez anos com o surgimento do Pólo Pina, que concentrava em um só lugar, bons bares e restaurantes. Ainda que pouco freqüentado hoje, o Pólo Pina foi responsável por incentivar a procura por boa alimentação fora de casa.

Há pelo menos seis anos essa procura vem aumentando, assim como a quantidade de estabelecimentos que agora, além de numerosos, estão mais dispersos pela cidade. Outro fator importantíssimo para o sucesso do Pólo Gastronômico Pernambucano se deve a sua situação geográfica, que facilita a concentração de grandes fornecedores de todo o Norte/Nordeste.

A surpreendente culinária da cidade une influências estrangeiras à cozinha regional, resultando em deliciosas iguarias. Os seus pratos típicos refletem a miscigenação de raças e a união de povos, responsáveis por uma das culinárias mais criativas do Brasil. Enquanto os doces e guloseimas foram trazidos pelos portugueses, os índios contribuíram com o hábito de comer raízes, como a macaxeira e o inhame. Os negros, por sua vez, comiam a carne seca e as partes menos nobres que deram origem a pratos bastante apreciados, como o sarapatel, a feijoada e a galinha à cabidela.

Entre os muitos pratos locais figuram peixadas, carne-de-sol, agulha frita e galinha guisada. A diversidade da gastronomia local é capaz de deixar qualquer um com água na boca. Têm camarão, marisco, sururu, buchada de bode, dobradinha, mão-de-vaca, cozido, caldo de mocotó, chambaril e macaxeira com charque. Para a sobremesa tem o delicioso bolo de rolo, bolo Souza Leão, cocada, suspiro, doce de coco, de mamão e de leite; queijo coalho com mel de engenho e a cartola (feita com banana frita, queijo, canela e açúcar).

Para começar bem o dia, a cidade pede um desjejum reforçado, tipicamente pernambucano. Cuscuz de milho ou de mandioca, inhame e macaxeira com carne de sol ou charque, batata doce, banana comprida, munguzá, frutas, pão, arroz doce, angu, coalhada, broa de milho, tareco, canjica e pamonha. Os sucos e refrescos de frutas regionais, a exemplo do caju, cajá e acerola, são ideais para acompanhar a refeição.

Atualmente se destacam dois pólos gastronômicos na cidade, o primeiro, chamado Pólo Capitão Rebelinho, em Boa Viagem, que concentra 22 restaurantes e o maior, localizado no Recife Antigo, com mais de 50 bares e restaurantes oferecendo opções para todos os gostos.

Para um bom café da manhã o turista pode optar pelos mercados públicos. Revitalizados pela Prefeitura da Cidade, os mercados da Boa Vista e da Madalena são os que dispõem das melhores estruturas em suas praças de alimentação, ambas com uma enorme variedade de pratos. Os mercados da Encruzilhada e de Casa Amarela também são boas opções.

Para o visitante que está a fim de um ambiente mais descontraído e quer beber apenas um chopp gelado, acompanhado de petiscos, existem dezenas de bares espalhados pela cidade. Duas ótimas opções são os bares Só Caldinho, na Av. Conselheiro Aguiar, no Pina, e o Corisco e Dadá, na Av. Engenheiro Oscar Ferreira, em Casa Forte.

Para o almoço e jantar existem várias opções de restaurantes espalhados pelo Recife. Há culinária Árabe, Japonesa, Chinesa, Italiana, Francesa, além dos Fast Foods e Self-services, as tradicionais churrascarias, restaurantes vegetarianos, restaurantes de culinária regional e os especializados em frutos do mar. O restaurante Donatário, localizado na Rua Leonardo Bezerra Cavalcanti, 254, Parnamirim, serve deliciosos pratos à base de camarão preparados ao bafo, com ervas francesas e vegetais naturais. Uma outra opção é a moqueca capixaba de robalo com azeite-de-dendê, do Restaurante Maré Cheia, na Av. Beira-Mar, 1330, em Piedade. Uma delícia.

Para encerrar o dia, o Recife dá ótimas opções para quem quer comer bem depois da balada. Você já imaginou dar uma mordida no Bairro da Torre? Na rua José Bonifácio, 481, na Torre, está localizado o Vila Torre – Original Burger, que resolveu unir deliciosos sanduíches e história, para a satisfação dos clientes.

Lá, os hamburgers levam os nomes das ruas do bairro e os clientes são atendidos pelo próprio dono que mói, prensa e grelha os bolinhos de carne e frango na hora, à vista do freguês, já que a cozinha é separada do salão de mesas por uma grande janela de vidro.

As opções são variadas e fogem das tradicionais combinações de hamburgers que conhecemos. Existem os mais simples, como o de filé com queijo e os mais incrementados com bacon, ovos, queijo e salada. O destaque da casa é o delicioso sanduíche de pernil de porco com queijo e abacaxi, que à escolha do cliente pode ser servido em pão bola ou francês; além dos sanduíches em tamanho gigante que alimentam bem a todos que estão voltando da balada.

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O Autor

Bruno Costa é natural do Recife e estudante de jornalismo. Horas viciado em cinema, horas viciado em música, costuma dividir o seu dia entre sinopses e pesquisas de novos artistas. Amante do mundo latino, sonha em conseguir aprender a dançar salsa, quer conhecer Buenos Aires e almeja tomar tequila com verme num bar tipicamente mexicano.

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