Caso Eloá: Sofrer para despertar audiência

Me impressiono com as pessoas que dizem não assistir programas policiais para não dar audiência à violência e quando surgem esses casos de apelo popular não saem da frente da televisão. Antes de mais nada quero fazer uma ressalva: “Apelo popular é uma ova, apelo midiático é a palavra. Quem apela é a mídia”.

É um absurdo ver as pessoas usando o nome da Eloá para ganhar audiência. Eles vão atrás de Orkut e – não bastasse o drama que ela viveu, a forma como morreu e o sofrimento que a família está vivendo com a perda – expõe os amigos e familiares, usam as fotos da garota sem autorização, as expõe e usam seus vídeos preferidos para alimentar a curiosidade mórbida de outras pessoas.

A tal da Sônia Abrão que dizem que ligou para o Lindemberg, ex-namorado da Eloá e o entrevistou ao vivo, agora ataca o pai da menina por – segundo ela – ser foragido da polícia no Estado de Alagoas, e o pai do rapaz – que também segundo ela – foi um pai ausente e tem parcela de culpa no crime cometido pelo garoto. Tantos pais ausentes por ai e nem por isso esses filhos se formam delinqüentes.

Não vou expor fotos, nem as comunidades dela do Orkut, tampoco seus vídeos preferidos. Não vou ficar diante da TV ou acessando sites e dando audiência à violência. Há pouco tempo atrás foi o caso da família Nardoni, agora o caso do sequestro da Eloá. O próximo será a mesma coisa, mídia em cima, as pessoas em volta e eu à distância setindo nojo do gosto bizarro que as pessoas tem por sangue.

Mas vão lá, assistam aos noticiários, comprem jornais e em breve as revistas com mais detalhes sobre o caso. Transformem o sangue derramado em dinheiro e engordem os bolsos dos donos da indústria da comunicação do Brasil. O povão só ganha a atenção dos meios de comunicação em dois momentos: no carnaval ou quando vão pro saco. E olhe lá.

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2 Responses to “Caso Eloá: Sofrer para despertar audiência”


  1. 1 Neo 23 outubro 2008 às 8:25 am

    É brother… triste constatação.

    Falei sobre isso lá no TOS…. é o caso da vez até cair no esquecimento…infelizmente..

    Aí..

    Tem meme para você no TOS..

    Abraço.

    Neo

  2. 2 Fabián Amores 23 outubro 2008 às 11:04 pm

    Bruno, brigadao pelo seu comentário. Sou equatoriano mesmo e aprendi a sua língua no IBEC, Instituto Brasileiro Equatoriano de Cultura que voce ajuda a financiar com os seus impostos e eu com a inscrição. Sempre gostei da cultura brasileira, da comida, dos filmes, da história e gostei muito do seu blog. Sou fã da Sole porque é uma jovem que tenta divulgar o melhor da cultura musical folclórica da Argentina e América do Sul. Por favor me envie seu correio para poder escrever e enviar a informação sobre a América-Latina cada mês com otro tipo de formato que desenhei.

    Brigado, saudações desde a Metade do Mundo. Até Já.


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O Autor

Bruno Costa é natural do Recife e estudante de jornalismo. Horas viciado em cinema, horas viciado em música, costuma dividir o seu dia entre sinopses e pesquisas de novos artistas. Amante do mundo latino, sonha em conseguir aprender a dançar salsa, quer conhecer Buenos Aires e almeja tomar tequila com verme num bar tipicamente mexicano.

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